domingo, 2 de maio de 2010

1º de Maio: Dia do Trabalho


Ontem, eu cheguei até pensar em postar sobre o Dia do Trabalho, mas como vocês podem ver, a primeira matéria foi postada pela manhã e a segunda à noite. Neste ínterim, eu fiquei na casa da minha mãe (das 9h às 19 h) e depois fui com a minha filha fazer compras no supermercado. Estava super cansada. Por isso, não consegui publicar a tempo.

Hoje, pela manhã, foi algo impossível, pois estive atarefada o período todo: casa para arrumar; roupa para lavar; feira de domingo; preparação do almoço; marido chegando de viagem de trabalho; supermercado novamente... Ufa! Que correria! Consegui sentar para escrever e publicar somente, agora, no final da tarde.

Eu reconheço que o correto é postar antecipadamente, mas todos que me conhecem pessoalmente e/ou sabem da minha vida através deste espaço, sabem que o meu tempo é dividido não só com a minha casa e família, mas com as duas escolas (14 turmas + projetos) e os cuidados com a minha mãe. Por isso, peço mil desculpas pelo atraso.




Imagem capturada na Internet (Fonte: Cultura Brasileira)



Dia do Trabalho

A origem da escolha da data 1º de maio para o Dia do Trabalho nos remonta o final do Século XIX e os Estados Unidos, como país-cenário.

O fato histórico ocorreu na cidade de Chicago, que na época já se configurava como principal pólo industrial e comercial do país (EUA). Por outro lado, ele também era o centro da máfia e do crime organizado, bem como do anarquismo na América do Norte.


Imagem capturada na Internet (Fonte: Ministério das Relações Exteriores)

Os trabalhadores, além de uma jornada de trabalho extensa e de baixos salários, não tinham direitos às férias, descanso semanal e à aposentadoria. Isso era uma prática bastante comum nas indústrias européias e estadunidenses, no final do século XVIII e durante o século XIX, ou seja, nos primórdios do modo de produção capitalista.

Os trabalhadores, por sua vez, criavam diversos tipos de organização para se protegerem, que atuavam – primitivamente - como sindicatos. E foi com estas primeiras organizações “trabalhistas”, que surgiram também campanhas e mobilizações de trabalhadores reivindicando melhorias nas condições de trabalho e aumento de salários.

Chicago acabou também se tornando um dos grandes centros sindicais do país. Na época, duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e comandavam as manifestações em todo o território do EUA: a Federação Americana de Trabalho (AFL) e os Cavaleiros do Trabalho (Knights of Labor, em inglês).

Estas organizações (sindicatos e associações) eram formadas, principalmente, por dirigentes de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas.

Importantes jornais operários circulavam em Chicago, como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, sob a direção de August Spies e Michel Schwab, respectivamente.

No dia 1º de maio de 1886, milhares de operários foram às ruas de Chicago protestar contra as más condições de trabalho e, ao mesmo tempo, reivindicar melhorias, entre as quais, a redução da jornada de trabalho, que eram de 13 horas, para 8 horas diárias.

Todos os trabalhadores de Chicago cruzaram os braços numa grande greve geral.

O dia 1º de maio e os subsequentes foram marcados por manifestações nas ruas, com passeatas, piquetes e comícios. No entanto, do outro lado, a repressão policial foi dura na tentativa de dissolver o movimento e apaziguar os “ânimos”. Várias prisões foram efetuadas, assim como registros de feridos e mortos em ambos os lados ocorreram.

No dia 03 de maio, o enfrentamento entre grevistas e policiais acabou em tragédia. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de grevistas, matando seis operários e deixando 50 feridos, além de efetuar centenas de prisões.

A situação ficou muito tensa, o que gerou um clima de revolta nos grevistas e acirrou outros casos de conflitos com as autoridades policiais.

August Spies, dirigente do jornal operário Arbeiter Zeitung, convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia seguinte (04/05). Embora, o ambiente era de revolta, os líderes do movimento pediam calma.

Na tarde do dia 04 de maio, os discursos no comício eram proferidos e revezados entre os líderes da classe operária. August Spies, Parsons e Sam Fieldem solicitaram a união do grupo e a continuidade da greve.

No final do comício, um grupo de 180 policiais avançou contra os manifestantes, espancando e pisoteando-os. A desordem instaurada foi agravada – mais ainda - com a explosão de uma bomba, lançada pelos manifestantes, que ocasionou a morte de sete policiais e cerca de 60 feridos.

A situação que já era caótica ficou insustentável. Reforços foram solicitados e os policiais revidaram, atirando em todas as direções. Com esta revanche, centenas de pessoas (de todas idades variadas) morreram e dezenas ficaram feridas.

Como a situação era de desordem total e a repressão aumentava sem parar, decretou-se “Estado de Sítio” em Chicago, com a proibição de sair às ruas.

Segundo o site Cultura Brasileira, “ milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.”

Os líderes do movimento grevista, Parsons, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel foram levados à justiça e julgados no dia 21 de junho.

O julgamento foi rápido, pois naquele momento o interesse maior era da Burguesia. Provas e testemunhas foram arquitetadas e utilizadas contra os líderes do movimento.

No dia 09 de outubro, a sentença final foi lida... Parsons, Georg Engel, Adolph Fischer, Louis Lingg e August Spies foram condenados à morte por enforcamento; Sam Fieldem e Michel Shwab à prisão perpétua e Oscar Neeb à 15 anos de prisão.

No dia 11 de novembro, Parsons, Georg Engel, Adolph Fischer e August Spies foram enforcados no pátio da prisão, exceto Louis Lingg, que se suicidou na cadeia.



Mártires de Chicago: Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, enquanto Lingg (ao centro) se suicidou - Fonte: Cultura Brasileira

Seis anos depois, o governo de Illinois, sob forte pressão diante dos protestos populares e da classe operária contra a injustiça cometida no julgamento dos líderes do movimento de maio de 1886, anulou a sentença e libertou os três únicos sobreviventes (Sam Fieldem, Michel Shwab e Oscar Neeb).

Foram estas manifestações dos trabalhadores, em greve geral, ocorridas no início do mês de maio e em Chicago, que acabaram por impulsionar a criação do Dia Mundial do Trabalho.

Iniciativa esta, que foi lançada na Segunda Internacional Socialista (Congresso), realizada em 20 de junho de 1889, em Paris (França), como forma de homenagear aqueles que morreram durante os conflitos, bem como em memória dos mártires da classe operária de Chicago.

Determinou-se, ainda, que a data seria comemorada no dia 1º de maio de cada ano.


Fontes de Consulta:



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