quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Indisciplina na Sala de Aula: Relação Aluno x Professor


Imagem capturada na Internet (Fonte: Veja.com)



Há tempo estou para postar acerca deste tema, inclusive, temerosa, pois sei o quanto ele é polêmico, pois envolve relações humanas na esfera educacional.

Por envolver seres humanos, as relações entre aluno x professor e vice-versa, sempre se mostraram desiguais até mesmo no âmbito de uma mesma Instituição de Ensino.

E, neste contexto, os conflitos podem ser gerados, o insucesso tanto profissional quanto de aprendiz pode ser verificado (apesar que o professor também ser um aprendiz...) e, infelizmente, suas sequelas podem permanecer para o resto da vida.

Indubitavelmente, o interior de um escola reflete a realidade externa, ou seja, da (s) comunidade (s) que a rodeia. E, hoje, é notório uma forte tendência à inversão de valores (humanos, éticos, morais etc) na sociedade.

Valores estes, que a escola – enquanto instituição cultural e social – deve priorizar, incentivar e/ou resgatar, antes que o próprio indivíduo conceba e encerre a sua vida sob e para si mesmo, ignorando ou subestimando as pessoas ao seu redor.

Torna-se primordial que haja um consenso e que ambas as partes, envolvidas, apresentem compromisso com a Educação, seja como agente mediador (o professor) seja como agente construtor do seu próprio conhecimento (o aluno).

E mais, ainda, que se respeite a hierarquia existente dentro da Unidade Escolar ou, mais especificamente, no âmbito da sala de aula.

Anteontem, no primeiro dia de aula da rede municipal do Rio de Janeiro, durante a minha aula, um aluno interrompeu-me várias vezes, provocando alguns colegas, com a intenção de atrapalhar a minha explanação. Eu o adverti todas às vezes.

Ao término da aula, o mesmo me desrespeitou novamente e, ainda, se justificou tomando por base o fato do meu tempo de aula já ter terminado (mas, eu ainda me encontrava dentro da sala). Eu o encaminhei à Secretaria, logo em seguida.

Vale ressaltar, aqui, que eu já conversei muito com o referido aluno, assim como os demais alunos indisciplinados da turma. Muitas vezes, acredito que - na opinião deles - os meus conselhos e tentativas de conscientização nunca fizeram efeito e, pelo contrário, tornaram-se discursos "chatos".

Pois bem, a falta de respeito é algo que incidi – de uma forma geral – nestas relações, sobretudo, nas estabelecidas entre aluno x professor. Não vou ser hipócrita ao ponto de negar que o mesmo não possa ocorrer numa relação inversa (professor x aluno). Infelizmente, há casos isolados, os quais – inclusive – contradizem com o nosso papel de educadores, mas graças a Deus, estes são fatos isolados.

A indisciplina, por sua vez, vem tomando proporções assustadoras, onde a presença dos responsáveis ou da ronda escolar ou, ainda, o encaminhamento ao Conselho Tutelar acabam sendo necessários e imprescindíveis.

Para piorar, muitas das vezes, presenciamos a omissão ou conivência de certos responsáveis perante a indisciplina e o desrespeito praticados pelos seus respectivos filhos.

Antigamente, o professor tinha apoio maior e respeito dos responsáveis, mas com o transcorrer dos anos, a autoridade deste se perdeu e os pais - ignorando o assunto a ser tratado pelo professor, não o escuta, saindo sempre em defesa dos filhos, mesmo estando estes completamente errados.




Imagem capturada na Internet (Fonte: Google)




Por vezes, também, ouvimos desabafos de alguns pais, que alegam não aguentarem mais a responsabilidade sobre os filhos, pois eles recebem a mesma forma de tratamento destes(desobediência, desrespeito etc.).

Embora, ao longo dos anos, as estatísticas evidenciem o aumento de professores com estresse, síndrome do pânico, estado depressivo constante ou até a chamada fobia escolar, o maior prejudicado ainda é o próprio estudante.

E, nesta conjuntura, é lamentável que outros alunos acabem sendo prejudicados direta e/ou indiretamente pelas atitudes descompromissadas dos respectivos alunos indisciplinados.

Sob este contexto e fazendo questão de mencioná-lo, destaco a opinião formada de um estudante que, em defesa dos alunos com dificuldades de aprendizagem, enfatizou a atenção desmedida dos professores aos discentes indisciplinados em prejuízo aos primeiros, que carecem de uma maior aplicação.

A referida opinião foi expressa sob a forma de produção de texto, durante uma Atividade Dirigida desenvolvida em sala de aula, no final do bimestre passado, acerca de uma breve análise do desempenho e rendimento escolar do aluno na minha matéria.

E foi justamente a produção do aluno Anderson Ricardo Silva Barreto (7º ano) que mais me chamou a atenção. Em um trecho desta, o referido aluno afirma: “Sei que a nota influência em grande parte o resultado final, por isso, procuro ter uma boa conduta e também ajudar meus ‘colegas’, porque noto que a grande maioria tem muita dificuldade em aprender. Eu acho que os professores deviam prestar mais atenção em determinados alunos e se importarem menos com os ‘bagunceiros’". (Este me autorizou a publicar o trecho de sua produção).

Para maiores esclarecimentos, a turma a que ele se refere apresenta um número significativo de alunos muito indisciplinados, descompromissados com o seu próprio processo escolar e infrequentes. Todos eles, em algum dia, já foram encaminhados à Secretaria da escola pelos professores, seja por indisciplina seja por desrespeito às regras da escola ou à autoridade do professor.

Tanto à Direção quanto à Coordenação e a grande maioria dos professores tomaram ciência do texto, que serviu de base para análise e discussão, inclusive, com a referida turma através da minha intervenção.

Ontem mesmo, a Diretora Geral - Profª Ângela Gaetta – fez questão de ir à sala para parabenizar o aluno, autor do texto, por sua postura perante os colegas e por sua opinião declarada acerca da situação vigente em sua turma.

Realmente, ele fez e faz uma diferença imensa no contexto da escola, como um todo e, mais especificamente, em sua turma (1706).


2 comentários:

Silene Faro disse...

É professora,realmente, o sistema educacional brasileiro passa por uma grande crise. Infelizmente, a culpa, muitas vezes cai nas costas do professor. Eu não vejo por aí, pois o que vemos em nossas escolas hoje é de estarrecer qualquer um.
Alunos que ao invés de carregarem livros e cadernos em suas mochilas, carregam armas e drogas; alunos que não fazem um mínimo de esforço para adquirir conhecimentos, não estão "nem aí" para a aula do professor; alunos que enfrentam os professores que cobram um pouco mais deles (como seu aluno fez com vc; alunos que usam a escola apenas como parque de diversões, ponto de encontro, salão de beleza, cyber/lan house, ringue de luta, etc, menos como um lugar de aquisição de conhecimentos e de aprendizagem. E agora, o que fazer? De quem é a culpa disso tudo? Só do professor?

Acredito que não. Não é porque é o professor o responsável por sua turma/disciplina que ele tem que dar conta do mau comportamento daquele aluno que "não quer nada" e por isso não aprende, aliás, mau comportamento que ele já traz de casa. O que o professor vai fazer com um aluno, (que não é mais criança) e que se nega a assistir sua aula, ne nega a querer aprender? Não, nem tudo é culpa do professor. Há coisas que estão fora da responsabilidade do professor.

Claro, todos nós sabemos que há exceções, mas não vamos generalizar. Sabemos que tem professores altamente desmotivados e decepcionados com a educação, por isso deixam a desejar. Sabemos que tem professores que não acreditam que alunos de escola pública tenham capacidade de aprender (ledo engano) e sabemos que tem professores, assim como os alunos, que se negam também a estudar, a aprender novas metodologias de ensino.

Mas, sabemos também, que existem muitos professores, de escola pública, excelentes. Que fazem de tudo para dar uma boa aula para seus alunos. Professores que estudam, pesquisam, perdem horas de sono e final de semana preparando aula, corrigindo prova e atividades.

Por isso, acredito que o erro está no sistema educacional vigente. Apesar de os alunos terem hoje muitas oportunidades e facilidades para aprender, como: livros, sala de informática com internet, biblioteca, merenda e material escolar, ele não quer usar essas facilidades para melhorar sua aprendizagem e para seu crescimento pessoal.

Não estou dizendo que sou contra isso tudo. O problema é outro: Tudo hoje é muito fácil para o aluno. Só não passa de ano quem não quer mesmo. O aluno praticamente não precisa mais estudar para as provas, por isso ele não estuda, pois em tudo ele já tem "pontos" garantidos: ponto de gincana, de festa junina, de feira cultural, de desfile escolar, de atividades de sala de aula, entre outros. Pra que ele precisa estudar?

Fora isso, ainda tem as recuperações paralelas (em junho e em janeiro). E se mesmo assim, ele ainda ficar reprovado em algumas disciplinas, tem a dependência. Quer mais? A média para passar é apenas 5,0.

Professora, escrevi esse no meu blog. Espero sua visita e sua opinião sobre este tema tão polêmico.
meu endereço: http://infolaboratorio.blogspot.com

Marli Vieira de Oliveira disse...

Olá, Silene,

Obrigada por seu comentário. Você foi bastante concisa sobre os grandes problemas do sistema educacional, inclusive, abrangendo ambas as partes principais do processo educativo: alunos e professores.

Concordo com você em “gênero, número e grau”...

O aluno, hoje, recebe muito mais do que o discente de anos atrás, mas a grande maioria não valoriza nada e nem se empenha em estudar ou “correr atrás”.

As facilidades que permeiam a vida escolar do discente, realmente, são muitas, tanto em termos materiais quanto estruturais e, em contrapartida, o interesse e o desempenho caíram muito.

Infelizmente, muitos alunos concebem o espaço escolar como ponto de encontro de adolescentes, de desfile dos mais modernos aparelhos de celular, de Mp4, entre outros.

Graças a Deus, ainda, existem alunos conscientes e responsáveis, assim como professores que acreditam na Educação como o caminho para a transformação social. Mas, que a situação está ficando insustentável, está!

Obrigada pela ótima explanação, contribuindo e enriquecendo o Blog.

Com certeza irei acessar o seu Blog!

Abraços