domingo, 20 de novembro de 2016

O Caso de Mega Meier e suas Conexões: Internet, Redes Sociais, Cyberbullying e Suicídio

Imagem capturada na Internet
Fonte: Find a Grave


Há muito tempo estou para publicar vários fatos conexos no âmbito das “mazelas do mundo virtual”. Não resta dúvida que a Internet consiste em uma fundamental ferramenta no mundo atual, globalizado, onde – sobretudo - a informação e o conhecimento andam juntos sob um simples manejo do mouse.

A Internet revolucionou na maneira pela qual é fornecida e alcançamos a informação. Embora, com algumas barreiras socioeconômicas em termos de acesso, entre os diversos países do mundo, esta se mostra aberta e democrática. E é por isso que a sociedade moderna é denominada de “Sociedade da Informação ou do Conhecimento”, tal qual a Revolução Técnico-Científica imprimiu em termos de inovação tecnológica, sobretudo, na área da Comunicação, entre tantas outras.

Além dos aspectos associados à construção do conhecimento, quer seja de forma autônoma quer seja de forma orientada, por meio da Internet, a divulgação, a mobilização, a publicidade, a interatividade, os casos de denúncias e etc. tornaram-se bem mais simples e ágeis no mundo conectado. Ainda mais, quando se fala na dimensão e alcance das redes sociais.

No entanto, do mesmo jeito que a Internet facilitou e trouxe benefícios à sociedade em geral, ela – em função do seu uso inadequado por pessoas inescrupulosas ou por simples brincadeira de mau gosto – promoveu e acarretou diversas situações negativas, reforçando valores e atividades antiéticos, imorais, de banalização à vida, de individualismo, de exibicionismo, para prática de ato ilegais e criminosos, entre outros da mesma categoria. 

De uma maneira geral, o público infanto-juvenil (crianças e adolescentes) é o mais vulnerável a essas situações, não fugindo à regra, outras faixas etárias. E, na condição de vítima e mediante a forma como cada um reage, as consequências podem ser desastrosas, inclusive, podendo os levar a atitudes radicais, como - por exemplo – fuga de casa e até o suicídio.

Imagem capturada na Internet
Fonte: Find a Grave

No dia 06 de novembro, Megan Taylor Meier completaria 24 anos, se estivesse viva... Sua história comoveu o mundo todo e serve de alerta para muitos jovens, tanto para aqueles que são vítimas quanto aos agem como agressores e, até mesmo, para os que apresentam comportamento de indiferença diante das práticas de Bullying em seu ambiente de convivência.

Megan Meier nasceu na cidade de Dardenne Prairie, Missouri (EUA), no dia 06 de novembro de 1992. Sua morte prematura foi acometida por ela mesmo, ou seja, por suicídio e por enforcamento, no dia 17 de outubro de 2006, quando só tinha 13 anos (ela completaria 14 anos no início do mês seguinte).

O que esse fato tem a ver com a chamada do meu artigo? Tudo! Pois, ele agrega as novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), como o Computador (PC), a Internet, a interatividade em uma rede social (neste caso específico, a MySpace) e, ainda, a prática de Bullying virtual (Cyberbullying), sob um perfil falso, criado justamente para atrair, seduzir e conquistar a confiança da vítima, uma adolescente de apenas 13 anos de idade.

Resultado desta rede perversa de relacionamento e de interatividade, criada e mantida de forma intencional para atingir a vítima, Megan Meier, foi o suicídio da jovem acometido em um momento de desespero emocional, dentro de casa. 

“A palavra suicídio (etimologicamente sui = si mesmo; -caedes = ação de matar)
foi utilizada pela primeira vez por Desfontaines, em 1737
 e significa morte intencional auto-inflingida, isto é,
quando a pessoa, por desejo de escapar de uma situação de sofrimento intenso,
decide tirar sua própria vida”.
  
Tudo começou quando o jovem Josh Evans, 16 anos, adicionou Megan Meier por meio do MySpace e, após o seu aceite, ambos iniciaram um forte relacionamento que resultaria na crença – por parte dela – de estar sendo correspondida em termos de uma relação amorosa.

No entanto, todo o envolvimento iniciado e mantido entre Megan e Josh era apenas online. Nunca houve um encontro presencial de ambos. Com a desculpa de ter se mudado recentemente para uma cidade vizinha, ele alegou não ter telefone ainda, a fim de evitar a escuta de sua voz, já que ele era uma grande farsa. Josh Evans, na verdade, nunca existiu!

E aí é que reside um dos problemas comuns no mundo virtual, a criação de perfis falsos e a consolidação de práticas dolosas em detrimento à ingenuidade de muitos jovens, internautas, que se tornam vítimas em potencial.

No caso da jovem Megan Meier, a crueldade foi mais grave, porque foi intencional. Foi uma estratégia utilizada por uma determinada pessoa, direcionada à própria Megan, cujos objetivos tinham por base a vingança, enganando-a com o assédio e a conquista protagonizado por um jovem bonito na Internet. O passo seguinte era fazê-la sofrer com a rejeição do mesmo e com as diversas ofensas e humilhações travadas durante as trocas de mensagens.  

Pois bem, a jovem Megan Meier foi facilmente iludida porque já apresentava uma baixa autoestima devido ao fato de que – por muitos anos – lutou contra a balança e sofria de depressão, da qual se tratava com medicamentos.

Imagem capturada na Internet
Fonte: Find a Grave
Por ser gordinha, ela sofria muito Bullying na escola. Seus pais até a transferiram de unidade escolar a fim de ver se as piadinhas acabavam.

Aos 13 anos de idade, Megan Meier já havia emagrecido muito (cerca de 10 Kg) e, inclusive, praticava atividades esportivas, como o vôlei no time da escola. Mas, apesar destas mudanças, sua autoestima ainda era frágil, instável.

O fato do seu contato com o jovem Josh Evans ser online facilitou a sua interação e desenvoltura com a nova amizade no MySpace. Além disso, ele mesmo a elogiava sempre, enaltecendo a sua beleza e muito mais. Com isso, conversar com ele sempre a fazia feliz. 

Por semanas, o relacionamento deles foi alimentado assim...

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Fonte: Find a Grave
  
Porém, no dia 15 de outubro de 2006, tudo começou a mudar e o sonho de Megan Meier apresentou as primeiras rachaduras antes de desabar por inteiro e, junto, levar a sua autoestima tão frágil para o nível mais baixo...

Neste mesmo dia, Josh Evan a abordou mal na rede social, alegando não querer ser mais seu amigo, pois havia ouvido que ela era uma pessoa que tratava mal as suas amizades. Curiosamente, Megan Meier havia acabado sua amizade com Sarah Drew, devido às constantes brigas entre elas. E essa ex-amiga morava próximo a sua residência.
  
No dia seguinte (16/10), ao retornar da escola e acessar o MySpace, em busca de novas mensagens do Josh, ela se deparou com mensagens mais duras e, para piorar, vários comentários e mensagens de outros usuários com ofensas diretas, a chamando de “vagabunda” e “gorda” na rede social.

Sua mãe, Tina Meier, percebendo o choro e o estado da filha, ao telefone, a recomendou a sair do MySpace e desligar o computador. Só que Megan continuou lendo as diversas mensagens ofensivas contra ela.

Mas, para que já tinha uma baixa autoestima e estava passando por uma grande decepção, como ela estava, as últimas mensagens que recebeu de Josh Evans foram arrasadoras. Elas foram feitas via AOL Instant Messenger, em vez do Myspace. Além dele proferir que ”todos sabem quem você é. Você é má e todos te odeiam. Tenha uma porcaria de vida”, no final, ele disse: “O mundo será um lugar melhor sem você".

Seus pais já estavam em casa, quando Megan Meier foi para o seu quarto e lá ficou com a porta fechada. Minutos depois, ela cometeu suicídio por enforcamento (usando um cinto) dentro do closet do seu quarto. Ela só tinha 13 anos e, dali a três semanas, seria o seu aniversário (14 anos).

Paramédicos foram chamados e fizeram todos os procedimentos para revivê-la, mas sem sucesso. Megan Meier foi declarada morta no dia 17 de outubro.


Imagem capturada na Internet
Fonte: Find a Grave

Ela se matou acreditando que o jovem que conhecera em uma rede social e que, inicialmente, demonstrou enorme carinho por ela, o mesmo que, posteriormente, passou a desprezá-la e a insultá-la veemente, existia de verdade.

Após a tragédia, os pais da jovem procuraram o perfil de Josh Evans no MySpace, mas este não mais constava, pois havia sido deletado.

Seis semanas depois de sua morte, os pais de Megan Meier descobriram – através de uma vizinha da rua - que Josh Evans jamais existiu. Que tudo fez parte de uma "brincadeira de mal gosto" de Lori Drew, 49 anos, mãe de  Sarah Drew, a ex-amiga da Megan.

Sarah e Lori Drew (filha, ao fundo e mãe)
Imagem capturada na Internet
Fonte: Technology
Crédito: Nick Ut/Associated Press

Isso mesmo, foi um perfil falso, criado com a única intenção de vingança por Lori Drew e de conhecimento de toda a sua família, inclusive, a filha. A família morava a quatro casas de distância da família de Megan Meier. 

Lori Drew não agiu sozinha, ela teve ajuda de sua filha Sarah e de sua empregada, Ashley Grills, de 18 anos.

A vizinha ainda revelou que, no dia do suicídio de Megan Meier, Lori Drew havia ligado para a filha dela pedindo que ficasse de "boca fechada" sobre o perfil falso de Josh Evans no MySpace.

Lori Drew sabia muito da vida da jovem, pois esta e sua filha eram muito amigas, ao ponto de viajarem juntos de férias em família. Por isso, ela sabia que a Megan Meier tomava antidepressivos, assim como tinha uma página no MySpace.

Pouco antes da morte da jovem, Lori Drew pediu aos pais de Megan Meier para guardar, na garagem de sua casa, o presente de Natal de seus filhos (uma mesa de pebolim). Os pais de Megan concordaram e assim o fizeram.

No entanto, após descobrirem a farsa toda e a autoria da mesma, eles destruíram a mesa de pebolim e jogaram os "pedaços" na porta da casa da família Drew.

Lori Drew ameaçou e apresentou queixa na polícia sobre a destruição do presente de Natal de seus filhos. Mas, ela foi também solicitada a responder sobre o caso do suicídio de Megan Meier, já que os pais da jovem já haviam a denunciado à polícia.

De acordo com a própria e, os registros nos arquivos da polícia local, sua intenção - com a criação do perfil falso de Josh Evans - era conquistar a confiança de Megan Meier e descobrir o que ela sentia por sua filha.

E ela chegou a dizer que achava que a sua brincadeira acabou influenciando a sua atitude em se suicidar, mas que não se sentia tão "culpada", porque descobriu – durante o funeral - que a jovem já havia tentado suicídio, em outra ocasião.

A mãe de Megan disse que ela mencionou suicídio algumas vezes, mas jamais havia tentado contra a sua própria vida. E, além desse fato, ninguém que a conhecia, incluindo o seu médico psiquiatra, a considerava como uma pessoa potencialmente suicida.

O fato é que a impunidade atribuída ao caso de Megan Meier revoltou muita gente e mobilizou as mídias em termos de protestos às autoridades do condado de St. Charles que decidiram não apresentar uma acusação criminal contra Loris Drew. Segundo os mesmos não houve nada ilegal, mesmo admitindo a crueldade do feito.

Apesar de Lori Drew ter sido indiciada pelos seus atos em 2008 e obtido absolvição no ano seguinte, ela sofreu muitos assédios e provocações verbais pela população. Sua casa sofreu atos de vandalismo e, em decorrência da repercussão negativa de conduta, ela se viu obrigada a se mudar de bairro.

Todavia, o caso de Megan Meier não foi encerrado, fazendo com que várias jurisdições se mobilizassem e criassem leis de combate ao Cyberbullying

Em resposta a esses fatos, a Câmara de Vereadores da cidade de Dardenne Prairie aprovou um Decreto, em 22 de novembro de 2007, que torna qualquer tipo de assédio - por meio eletrônico, incluindo a Internet, serviços de mensagens de texto, pagers e dispositivos semelhantes – a ser tratado como delito, com multas de até US $ 500 e até 90 dias de prisão.

Outras cidades e estados dos EUA também aprovaram leis de assédio, algumas mais abrangentes (Cyberbullying e Cyberstalking) em resposta ao caso de Megan.

Tina Meier, mãe Megan, criou a Fundação Megan Meier (em inglês, Megan Meier Foundation), com sede em Chesterfield, Missouri (EUA), cuja missão é “apoiar e inspirar ações para acabar com Bullying, Cyberbullying e suicídio”. Clique AQUI para acessar a referida Fundação. 


Fontes de Consulta:






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